Esse blog faz parte da aula "Jornalismo Investigativo" da PUC Rio, dada pelo professor Leonel Azevedo de Aguiar.
Aqui, postarei sobre assuntos discutidos em sala de aula.
Espero que gostem! :)
Bruno Quintella veio à PUC rio nos contar de seu filme documentário sobre seu pai.
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Filho do jornalista Tim Lopes, Bruno exibiu trechos do documentário sobre seu pai, que será lançado no final deste ano. Intitulado "Histórias de Arcanjo - um documentário sobre Tim Lopes", o filme faz referência ao nome verdadeiro do repórter: Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento. Segundo Quintella, aliás, era esse o nome que Lopes dava para fontes em reportagens investigativas para a Rede Globo.
O filme de Quintella sobre seu pai compila depoimentos de jornalistas consagrados sobre o trabalho do repórter. O objetivo foi humanizar a figura de Tim Lopes. Quando Tim morreu, criou-se uma espécie de idolatria em torno da figura dele e seu filho quer mostrar às pessoas um outro lado de seu pai, que talvez nem ele conhecia. Como afirma o jornalista Arthur Dapieve, em depoimento ao filme de Quintella: "[Tim Lopes] era o cara que olhava as coisas como elas eram, sem demonizá-las e também sem romantizar".
Vimos e comentamos sobre alguns documentários que envolvem o jornalismo, por isso faço uma reflexão sobre o gênero.
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Ao contrário do trabalho jornalístico voltado para a produção de notícias e reportagens, o documentário necessita, além de um maior tempo de elaboração, um envolvimento exclusivo dos profissionais que trabalham em sua execução. Isso implica aumento de custos para as TVs, que nem sempre se mostram dispostas a pagar pelo preço desse trabalho. Na maioria dos canais abertos de TV, mesmo quando uma equipe é designada para cobrir em profundidade um fato, em geral, o máximo que se faz é a grande reportagem.
O gênero documentário é quase uma exclusividade das Tvs por assinatura e das Tvs educativas. As TVs comerciais priorizam a produção de grandes reportagens (a exemplo do Globo Repórter, da Rede Globo de Televisão) e não a de documentários, o que implica dizer que as exigências organizacionais impostas ao trabalho jornalístico influenciam na escolha do gênero e definem a ideia de mundo para a comunicação jornalística. O carater autoral de um Documentario é uma característica que implica afirmar que o documentário é um gênero fortemente marcado pelo “olhar” do diretor sobre seu objeto. Ao contrário do que ocorre com os demais gêneros jornalísticos, nos quais se busca uma suposta neutralidade ou imparcialidade, no documentário, a parcialidade é bem-vinda.
Jornalistas estão sempre correndo riscos, mas nem sempre estão preparados para corrê-los.
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Jornalistas cariocas de rádio, TV, revista e jornal impresso participaram, na última semana de agosto, do Curso de Segurança para Jornalistas em Área de Conflito. O treinamento foi uma proposta do Sindicato dos Jornalistas e teve início no dia 27. O curso foi ministrado pelo International News Safety Institute(Insi), organização internacional que reúne especialistas em segurança da imprensa.
O primeiro curso foi ministrado em 2007 e teve sua terceira edição em 2012. As aulas ensinam como agir com segurança durante um tiroteio e a importância de se planejar a reportagem antes de ir para a rua. Ainda abordam o estresse de jornalistas que vivem sob tensão de coberturas perigosas.
Depois de tantos casos envolvendo jornalistas que foram mortos fazendo coberturas, um curso como esse pode trazer uma certa segurança para os profissionais. Claro que isso não quer dizer que eles possam agir sem ajuda policial em alguns lugares, mas pelo menos vão saber o mínimo para agirem corretamente em situações de risco.
Uma crise em um canal de televisão tão tradicional como a BBC muda a visão sobre “ética” que temos. No meio à confusão, o novo diretor- geral foi anunciado no dia 22 de Novembro. Tony Hall assumirá o cargo com um grande problema para resolver, mas acreditam que os 28 anos em que trabalhou na rede de televisão ajudará a apagar a crise.
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A crise começou com a transmissão de um programa, por um canal concorrente, com acusações de que um dos ícones da TV Britânica Jimmy Savile, abusava sexualmente de crianças. Mas o clímax da história foi a descoberta de que o programa “Newsnight” já tinha produzido um programa sobre as acusações mas não teria transmitido. Isso levantou questionamentos sobre o porquê a BBC não levou ao ar as investigações. O editor do programa se afastou do cargo e há uma investigação em aberto sobre as acusações.
Hoje, a rede de televisão BBC tem que reconstruir a sua imagem e o novo diretor-geral tem um grande trabalho pela frente.
Assim como no Brasil existe a Abraji (Associação brasileira de jornalismo investigativo) nos Estados Unidos existe a IRE (Investigative Reporters and Editors) com a mesma função e objetivo: discutir e tentar aprimorar o jornalismo investigativo nos países.
O IRE é uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que nasceu em 1975 através de jornalistas que queriam compartilhar ideias sobre jornalismo em geral. Eles têm como objetivo melhorar a qualidade do jornalismo investigativo no país. Promovem conferências e no site existem documentos com dicas sobre como escrever e jornalismo investigativo, para que membros acessem.
Uma organização como essa é fundamental para que a discussão sobre jornalismo investigativo nunca acabe e sempre traga ideias novas. Acesse o site: IRE
Sabemos que no jornalismo investigativo todos os repórteres correm riscos. Mas às vezes nos esquecemos que não são só eles que estão envolvidos na produção de uma matéria. Temos também os cinegrafistas e fotógrafos que, podemos dizer, correm mais riscos ainda do que o próprio repórter. Eles tem que se arriscar ainda mais para capturar uma imagem para que o público tenha alguma coisa a mais sobre aquele evento.
No filme "Abaixando a máquina" podemos ver claramente o quanto o trabalho de um fotógrafo é perigoso. A vontade de mostrar a verdade através de uma imagem é tanta que eles correm riscos enormes para obter aquele material.
Através do filme
podemos perceber o quanto a imagem é essencial para mostrar a verdade. O
fotógrafo está sempre se arriscando para ter um clique que possa mostrar para todos
o que um texto talvez não consiga transmitir. Ele assume riscos enormes para
transmitir uma imagem.
Mas o filme mostra um outro lado também, que é a construção
da verdade. Como as imagens podem ser usadas para a construção de uma
realidade, ou seja, usadas com outro propósito, para mostrar algo diferente ou parecido com a verdade. A fotografia acaba virando um produto que tem que existir para ser
mostrada em jornais e etc como representação de algum evento. Mas às vezes a
forma como essa foto é usada é diferente da real. E o fotógrafo que estava lá,
no evento, e sabe o que aconteceu vai fazer o que? A sua foto é o produto usado
para exposição de um evento e não depende só dele o jeito que será interpretado.
Presenciar uma guerra não é fácil.
Presenciar uma guerra no Iraque- país muito conservador e, há pouco tempo,
comandado por um ditador- é mais complicado do que parece. Estar na guerra
antes, durante e depois é considerado um privilégio para jornalistas. Eles
passam por qualquer situação para conseguir aquele furo ou aquela história que
ninguém viu surgir no meio da multidão apavorada. Mas o medo, a angustia, e,
principalmente, a coragem andam juntos dos correspondentes.
Asne Seierstad, norueguesa e já conhecida pelo
livro “O livreiro de Cabul”, embarcou nessa aventura um tanto peculiar. Em seu
livro “101 dias em Bagdá” conta que foi por vontade própria que resolveu ir ao
Iraque em 2003 conhecer a guerra que estava por estourar no país. Já havia
coberto outras guerras no Oriente médio e ficou conhecida como correspondente
de guerras.
Seu livro é dividido em três capítulos: Antes,
Durante e Depois. Conta como foi a sua chegada em Bagdá e o sufoco para conseguir
um visto de jornalista. Diferentemente de qualquer outro país, no Iraque os
jornalistas são observados o tempo todo e precisam de autorização para visitar
cidades, bairros e edifícios; e até para falarem com pessoas nas ruas. Cada um
tem seu próprio tradutor designado pelo Ministério da Informação, obviamente
controlado pelo governo de Saddam Hussein. Asne primeiramente teve um tradutor
que não a ajudava com as suas perguntas pois seguia fielmente as regras do
ministério mas depois foi “abençoada” com Aliya que a ajudou a entender muitas
vozes iraquianas.
Antes e durante a guerra ninguém falava nada
sobre o governo. Todos ficavam calados ou tinham “frases prontas”. Dessa
maneira não chegaria a verdade, não iria ouvir o que o povo do Iraque realmente
pensava. Um homem lhe disse uma vez antes da guerra explodir:“Ninguém diz a verdade, ninguém. Você pode
parar de perguntar.”(p.107) Mas como uma boa jornalista ela não parou.
Registrou histórias comoventes de iraquianos que queriam sair da cidade mas não
podiam; outros que queriam ficar para proteger o seu país; famílias armazenando
alimentos e água desesperadamente. São tantas história diferentes e tantos
nomes parecidos que perde-se a conta.
Em seu livro conseguimos refletir muito bem
sobre a guerra contra os Estados Unidos. Vemos um lado que ninguém mostra tão
detalhadamente. Conseguimos entender e até sentir um pouco do medo que se passava
naquele país. As pessoas não queriam que acontecesse uma guerra mas ao mesmo
momento queriam se libertar do regime. Mas a ditadura era tão forte que nem
mesmo o povo conseguiu fazer uma rebelião contra o presidente.
Chega a um momento em que não sabe se fica para
cobrir a guerra ou se vai embora com medo. Asne suborna pessoas de alto cargo
para poder continuar no país enquanto os outros jornalista estão pagando para
irem embora. Não queria perder essa chance. Afinal é uma jornalista.
Excepcionalmente uma vez disse a um menino que fazia parte de um escudo humano
para voltar para casa. “Afastei-me demais do meu papel de repórter: observar e
testemunhar, sem empatia ou emoção.”(p.142) Logo a guerra começaria e milhares
de pessoas inocentes morreriam. O seu papel era transmitir para o que o Iraque
ou os Estados Unidos não deixavam o mundo ver. Correu o risco de usar o telefone
via satélite e fazer transmissões de dentro do hotel, mas o seu dever era
informar e não podia decepcionar os seus leitores ou espectadores.
Por mais que tenha corrido risco de morte, Asne
não deixou de cumprir o seu papel de informante. Seu livro é o que jornalistas
do mundo inteiro procuram: um lado diferente da história. Com ajuda da sua fiel
tradutora e de seu motorista (Amir) ela encontrou a ambiguidade do regime. Por
mais que os súditos de Saddam lutassem por ele, eles lutavam pela liberdade
acima de tudo. Depois, mesmo sendo xiita ou sunita, quando finalmente se
sentiram libertos gritaram, alguns agradecendo aos americanos outros odiando os
mesmos. Mas todos gritavam pela liberdade, ainda que fosse apenas dentro de
suas cabeças.